Tecnologia & Ciência

O negócio por trás dos rostos que parecem reais nas redes

Personagens digitais criados por inteligência artificial são produzidos em série, adaptados para vários idiomas e usados para atrair audiência e renda

Um rosto convincente, uma voz bem ajustada e uma rotina de publicações podem criar a impressão de que existe uma pessoa por trás de um perfil. Em alguns casos, porém, a personagem é inteiramente digital. Ferramentas de inteligência artificial permitem gerar sua aparência, produzir vídeos e adaptar roteiros para diferentes idiomas.

Esse modelo aparece em tutoriais publicados nas redes sociais com promessas como “ela não existe, mas paga meu cartão todo mês” e “tenho um plano infalível para o milhão”. A reportagem do g1 Tecnologia, publicada em 24 de setembro de 2026, mostra a formação de um mercado baseado na criação e na operação desses avatares.

O que é um avatar de inteligência artificial

Avatar, nesse contexto, é uma identidade digital usada para representar uma personagem. Ela pode ter rosto, voz, gestos, nome e uma história criada pelo operador da conta. A inteligência artificial entra em diferentes etapas: geração de imagens, edição de vídeos, síntese de voz e elaboração ou tradução de textos.

Na prática, o trabalho se aproxima de uma linha de produção. O responsável escolhe a aparência da personagem, define os assuntos abordados, prepara os roteiros e publica os vídeos em plataformas digitais. Um mesmo conteúdo pode receber adaptações para públicos de línguas diferentes, reduzindo o esforço de produzir cada versão separadamente.

Como a personagem pode gerar receita

O avatar é tratado como uma marca ou como um canal de divulgação. A audiência pode ser direcionada para produtos, serviços, links comerciais e outras formas de monetização oferecidas pelas plataformas. A própria promessa de ganhar dinheiro com esse sistema também pode ser usada para vender cursos, métodos e tutoriais.

É importante separar a ferramenta de seu uso. Personagens virtuais podem aparecer em campanhas publicitárias, obras de entretenimento e conteúdos educativos. O risco aumenta quando o perfil cria a impressão de que há uma pessoa real por trás da conta, apresenta experiências inventadas como depoimentos ou associa o método a ganhos fáceis e garantidos.

Por que identificar o conteúdo importa

Para quem acompanha essas contas, a aparência realista pode dificultar a distinção entre publicidade, ficção e recomendação pessoal. Antes de clicar em um link ou fazer uma compra, é prudente observar quem administra o perfil, qual produto está sendo oferecido e se a publicação deixa claro o uso de inteligência artificial.

Imagens excessivamente perfeitas, histórias pessoais genéricas, respostas que se repetem e promessas de enriquecimento rápido merecem atenção. Também é recomendável comparar a oferta com informações disponíveis no site oficial da empresa ou do serviço e evitar o envio de documentos, senhas ou dados bancários a perfis desconhecidos.

A expansão desses avatares mostra uma mudança na economia das redes: a produção de conteúdo pode ser automatizada em grande escala, enquanto a aparência de autenticidade continua sendo usada para conquistar confiança. Para o público, entender como essas personagens são construídas é uma forma de tomar decisões mais seguras no ambiente digital.

Fontes e transparência

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